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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O COORDENADOR PEDAGÓGICO E SUAS ATRIBUIÇÕES: ARTICULADOR NA RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA

 

Resumo:
O presente artigo tem por finalidade apresentar algumas discussões/reflexões em relação às diversas atribuições desempenhadas pelo coordenador pedagógico no seu campo de atuação profissional, destacando os desafios e possibilidades de exercer sua função. E aborda de modo particular o papel de articulador do coordenador pedagógico na relação família e escola dentro de uma gestão democrática.


Palavras-chave: coordenador pedagógico, atribuições, escola, família.




INTRODUÇÃO

O interesse em refletir neste trabalho sobre as diversas atribuições que o coordenador pedagógico desempenha na escola e o seu papel de articulador na relação família e escola, é fruto de uma experiência como discentes e participantes de uma mesa redonda com Coordenadores Pedagógicos da Rede de Ensino Pública e Privada, realizada no Campus X da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da professora Jessyluce Cardoso. Em que por meio do contato mais aproximado entre a comunidade intra e extra-escolar foi possível perceber a relevância da atuação deste profissional no processo de formação do sujeito para a sociedade atual.

Entendo que a sociedade contemporânea é influenciada pela demanda de informações e que a educação escolar tem por objetivo formar o cidadão para a mesma, cabe ao coordenador pedagógico acompanhar esse processo de forma eficaz. Assim sendo é notável que a flexibilidade seja um fator determinante para que o profissional obtenha êxito perante as suas atribuições. Exemplo disso é a articulação entre atores do espaço da educação, o professor, o aluno e a família em que o coordenador pedagógico é um agente determinante para a manutenção de uma relação saudável no ambiente escolar. 

As diversas tarefas desempenhadas pelo coordenador pedagógico caracterizam sua função, como um campo de trabalho muito amplo em que por muitas vezes causam equívocos quanto a sua ação, em que o essencial é não permitir que o burocrático sobreponha o pedagógico.

Neste trabalho será abordado o papel do coordenador pedagógico como mediador na comunicação entre família e a escola e tem por objetivo identificar o modo pelo qual o coordenador pedagógico possa atuar no desenvolvimento dessa articulação entre família e escola.


O COORDENADOR PEDAGÓGICO E SUAS ATRIBUIÇÕES NO AMBIENTE ESCOLAR

Segundo Almeida e Placco (2001) o coordenador pedagógico deve guiar o grupo de professores com objetivo de desenvolver um trabalho coletivo e promover a integração no ambiente escolar.

Para isso, ele precisa conhecer o grupo de forma suficiente que consiga saber as características destes e propiciar aos professores educação continuada do docente.

A reunião pedagógica com os professores destaca-se como uma das atividades que devem ser planejadas pelo coordenador pedagógico. Este deverá confeccionar uma pauta flexível com os assuntos a serem abordados para orientá-lo no desdobramento da reunião adotando uma postura de orientador e avaliador do processo ensino-aprendizagem, buscando a realização de estudos com envolvimento e participação dos docentes. Lembrando que as reuniões devem ser marcadas de acordo com a necessidade de cada escola.

É concernente também ao coordenador acompanhar o Projeto Político Pedagógico, verificando o seu cumprimento, realizando uma articulação transformadora para que a práxis educativa seja exercida de forma consciente a favor de uma ação coletiva que envolva todos os docentes a fim de também acompanhá-los e auxiliá-los na sua formação continuada.

Conforme Pimenta (2000), por vezes o coordenador pedagógico se envolve tanto com os procedimentos técnicos e a rotina burocrática, que acaba se importando mais com a forma do que com o conteúdo, causando prejuízos ao processo educacional a qual ele deveria estar comprometido.

É importante que o coordenador busque conciliar sempre suas atividades burocráticas e seus momentos de planejamento para se permitir freqüentar a sala de aula. Segundo Almeida; Placco (2001), “é possível categorizar a ação coordenadora nas escolas em três dimensões: articuladora, formadora e transformadora”.

Desta forma, estabelecer uma conversa com o professor voltado sempre ao diálogo e a orientação pratica docente, para efetivar um melhor conhecimento do ambiente da sala de aula a fim de contribuir para o trabalho desenvolvido pelo mesmo. Portanto:
O professor conhece e domina os conteúdos lógicos e sistematizados do processo de ensinar e aprender; o supervisor possui um conhecimento abrangente a respeito das atividades de quem ensina e das formas de encaminhá-las, considerando as condições de existências dos que aprendem (os alunos). (MEDINA apud SILVA JR, 1997, p. 31)

Da mesma forma que a educação escolar enfrenta desafios, com o coordenador não é diferente, pois seu cotidiano é cercado de obstáculos, conflitos e equívocos. Cabe a ele desempenhar ainda o acompanhamento das atitudes dos professores nas atividades executadas em sala de aula, auxiliando-os no processo de ensino aprendizagem dos educandos, logo é interessante prever no planejamento também a participação ativa do discente no processo ensino-aprendizagem estimulando-o a opinar e sugerir mudanças. Além disso, é propicio ao coordenador também intervir quando necessário na solução de possíveis problemas que possam ocorrer neste processo, sendo preciso segundo Freitas (2000), entender e contextualizar o problema antes de começar agir.

A elaboração do currículo é outra atividade que o coordenador precisa estar atento devido à evolução dos acontecimentos que ocorrem na sociedade e que o currículo deve contemplar estes fatos sociais.

Assim como preconiza Luckesi (1995) a avaliação serve de “instrumento de verificação dos resultados que estão sendo obtidos, assim como para fundamentar decisões que devem ser tomadas em função dos resultados” ela constitui como mais uma atividade importante do coordenador pedagógico. Derivado de um planejamento bem organizado compete ao coordenador orientar o professor quanto à avaliação, de forma que o auxilie na busca de melhoria dos resultados, das metas em que se propõem a atingir.


O COORDENADOR PEDAGÓGICO COMO UM DOS ARTICULADORES DO
RELACIONAMENTO FAMÍLIA-ESCOLA

O coordenador pedagógico deve estar compromissado em função de uma proposta pedagógica libertadora. Demo (1994), afirma que “o papel da educação é um fator de mudança na sociedade que tende a formar bons cidadãos, cientes de seus direitos e deveres perante a sociedade”.

Para que haja envolvimento e participação ativa de professores, diretor, funcionários, aluno e família é preciso que o coordenador pedagógico acompanhe as ações que esses indivíduos desempenham direta ou indiretamente na busca por excelência no processo de ensino-aprendizagem. De forma que com o seu trabalho ele consiga articular as situações do cotidiano possibilitando uma mediação dinâmica com relação aos agentes da educação, pois de acordo com o Barbosa,

Sem ser autoritário e nem permissivo, o coordenador de grupos pode adotar uma postura operativa, o que permitirá aos integrantes do grupo desenvolver um comportamento produtivo, sem se tornarem dependentes da autoridade e nem desenvolverem um individualismo excessivo, aspectos por demais perniciosos nos dias de hoje. (2001, p. 190).

Assim, o coordenador deve desempenhar o seu trabalho de forma que motive e estimule a participação e o empenho de todos os envolvidos no processo educativo, apropriando-os de reflexões para compreensão dos problemas encontrados para a busca de soluções, visando sempre uma autonomia pedagógica.

Contudo esse processo precisa ser fundamentado, também em uma reflexão teórico-prática de forma a facilitar o relacionamento entre professores, educandos e familiares.

Observando a postura dos educandos que compõem o ambiente escolar contemporâneo percebe-se que eles buscam na escola um ambiente em que possam ascender socialmente, socializando e trocando experiências, propiciando a eles um amadurecimento que dever ser mediado de perto pelo corpo docente e intermediado pelo coordenador pedagógico de forma que possa ser aproveitado em sua plenitude.

Como observa Pimenta apud Bourdieu:
Ainda hoje, uma das razões pelas quais os adolescentes das classes populares querem abandonar a escola e começar a trabalhar muito cedo, é o desejo de aceder o mais rapidamente possível ao estatuto de adulto e às capacidades econômicas que lhes são associadas: ter dinheiro é muito importante para se afirmar em relação aos colegas, em relação às meninas, para poder sair com as colegas e as meninas, portanto, para ser reconhecido e se reconhecer como um homem. (2000, p. 97)

Além deste aspecto, por muitas vezes o jovem ingressa cedo no mercado de trabalho para colaborar na renda familiar, nesta ocorrência o coordenador em um trabalho conjunto com os professores deve observá-lo constantemente e subsidiá-lo para que não ocorra a sua evasão da escola

É importante que o coordenador juntamente com o corpo docente se preocupe com esse processo de socialização do discente, possibilitando a ele a construção da sua identidade individual e coletiva quiçá favorecer ao educando um ambiente diferente do conflituoso encontrado na sua casa. Organizando trabalhos pedagógicos que favoreçam a aprendizagem de todos, visando à vigilância e a correção de problemas que possam ocorrer no processo ensino-aprendizagem.

Comprometido com essa realidade, torna-se necessária uma gestão participativa para viabilizar o acompanhamento do coordenador aos fatores externos que envolvem os agentes e assim consiga mediar às relações entre os professores, os alunos e as suas respectivas famílias, de forma flexível e contínua.

Compreendem-se até esse ponto que são múltiplas as atribuições do coordenador pedagógico no âmbito escolar, ou seja, o coordenador além das responsabilidades que já lhes são inerente depara-se com outros importantes atributos, como por exemplo, a flexibilidade, criatividade e a ação crítica e construtiva que são componentes fundamentais do processo educacional (Lück, 2006), dentre outros.

Ele precisa para que de acordo com o estabelecido, o planejamento seja cumprido pela equipe de professores. Buscando constantemente o comprometimento dos agentes estimulando-os para que todos participem nas decisões, reuniões pedagógicas, conselhos de classe e demais atividades.

É notável que para estas atribuições do coordenador sejam cumpridas de forma eficaz sendo o relacionamento entre docente, discente e comunidade componentes fundamentais para obtenção de êxito no processo ensino-aprendizagem.

Cada componente deve ter noção de suas responsabilidades, para que o relacionamento interpessoal favoreça maior flexibilidade para a resolução das demandas do cotidiano escolar. Lembrando que, buscar conhecer os discentes, seus problemas, dificuldades e necessidades, possibilita mecanismos para que o coordenador auxilie e oriente os docentes em todos os momentos. 


CONSIDERAÇÕES

Almeja-se que o coordenador seja embutido de uma postura democrática para administrar os conflitos existentes nas relações interpessoais, utilizando como premissa o aperfeiçoamento do processo ensino-aprendizagem, por meio de uma prática participativa que envolva – pais, docentes, discentes e comunidade – todos os agentes da educação.

O coordenador pedagógico na unidade escolar responde essencialmente pelo processo de formação continuada dos educadores e pela construção da concepção entre teoria e prática docentes. Articula a construção do Projeto Político Pedagógico de forma coletiva, elabora as práticas educativas juntamente com os professores, beneficiando sempre os aspectos intelectuais, afetivos e éticos dos educadores e educandos.



REFERÊNCIAS


ALMEIDA, Laurinda Ramalho; PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza (Org). O coordenador pedagógico e o espaço da mudança. São Paulo. Ed. Loyola, 3ª edição, 2001.

BARBOSA, Laura Monte Serrat. A psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente, 2001.

DEMO, Pedro. Política Social, Educação e Cidadania. Papirus, 1994.

FREITAS, Nilson Guedes de. Pedagogia do amor. Caminho da libertação na relação professor e aluno. Rio de Janeiro: Wak, 2000.

LÜCK, Heloísa. Gestão Educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. (Série: Cadernos de Gestão).

LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: um ato amoroso. In:______. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1995.

PIMENTA, Selma Garrido (Org). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez, 2000.

SILVA JR, C. S. (Org). Nove olhares sobre supervisão. São Paulo: Papirus, 1997.



*Gleide Cristina Barbosa de Oliveira. Graduanda do curso de Pedagogia UNEB - Campus X.
E-mail: crisbarbosa28@hotmail.com  


**Izabel Rodrigues Ferreira. Graduanda do curso de Pedagogia UNEB – Campus X.

E-mail: izabelrf@gmail.com


***Maíne dos Santos Pessoa. Graduanda do curso de Pedagogia UNEB – Campus X.

E-mail: maine.pessoa@hotmail.com

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