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terça-feira, 18 de outubro de 2011

O CAMINHO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Levando em consideração que o homem é feito de tempo, isto é, o tempo é o senhor de formação. Pode-se destacar toda a cronologia que a educação brasileira percorreu da Colônia ao Império.

Com a chegada da família real portuguesa organizou-se o ensino superior das artes. O Neoclassicismo no Brasil foi introduzido por arquitetos, pintores e escultores, com a fundação da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro. As riquezas da colônia foram estudadas por naturalistas e geólogos. Instalou-se a Imprensa Régia. Facilitou-se a importação de máquinas e matéria-prima. Fundou-se o Banco do Brasil. O governo joanino, sob pressão inglesa assinou dois tratados em 1810: o de Comércio e Navegação e o de Amizade e Aliança. 

Promoveu-se a vinda da Missão Artística francesa em 1816. Debret, Taunat, Rugendos, Chamberlain e Thomas Ender foram alguns dos pintores que deixaram de herança ricas imagens da vida social da época.

O ensino no Brasil foi divido em três níveis durante o Primeiro e Segundo Império. Proclamada a Independência, a Assembléia Constituinte reuniu-se em 1823 com finalidade de estabelecer o novo ordenamento jurídico com uma Carta Magna. Foi decretada uma lei nunca cumprida, a escola primária manteve-se sem restrições, ou seja, gratuita a todos os cidadãos. Só que a elite educava seus filhos em casa com professores ou em um lugar escolhido para aulas em grupo. Às outras classes eram oferecidas escolas de ler, escrever e contar.

De 1827 a 1854, foi implantado por decreto o método de ensino mútuo ou monitorado, do pedagogo Lancaster, que educava os alunos com poucos gastos. Sem muito sucesso, por falta de infra-estrutura.

No ensino secundário, a falta de recursos impedia a construção de escolas, preparação dos mestres e uma remuneração de qualidade.

As disciplinas eram escolhidas aleatoriamente com a intenção de preparar os jovens para os cursos superiores. O Ato Adicional (1834) atribuiu à Coroa a educação da elite e com as províncias ficou a educação do povo. Essa descentralização prejudicou em muito a educação brasileira.

Escolas destinadas à elite intelectual foram fundadas como padrão de ensino. Escolas religiosas surgiram como tendências a partir do século XIX, em especial as católicas. Já as protestantes trouxeram inovações americanas. Há também o surgimento das escolas leigas com inspirações positivistas.

Os cursos superiores, até então só para a formação de padres, foi fundado dois cursos jurídicos que eram os que mais atraíam os jovens, para a ocupação de funções administrativas e políticas, e também para o “enobrecimento” na formação humana.

Longe de ser uma prioridade, tentou-se melhorar a formação dos professores com a criação de escolas normais que acabavam tendo uma duração instável devido o descaso. Não se tinha a preocupação com um método pedagógico específico, a remuneração era ruim e não tinha apoio didático às escolas. O cargo de professor era entregue até para funcionários públicos ou familiares de políticos. Criou-se uma seção feminina nas escolas normais para a profissionalização no magistério, gerando uma feminização no ofício que antes atendiam só os rapazes. Depois disto, fundou-se os cursos profissionalizantes para a formação qualificada para o trabalho.

Portanto, o ensino superior era almejado para a valorização da elite. Assim pode-se perceber o quanto à precariedade do ensino especialmente o primário e o secundário é refletido pelo descaso vivido atualmente na educação.

EDUCAÇÃO JESUÍTICA

Num período de 210 anos, os jesuítas encabeçados por Manoel da Nóbrega fundam as escolas “ler e escrever” começando em Salvador e depois por todo o Brasil.

Os Jesuítas aprenderam o Tupi, para se aproximar dos índios, tornando a comunicação viável, principalmente com as crianças para atrair os adultos.
José de Anchieta, para tornar o aprendizado mais hábil utilizava o teatro, a música e as poesias.

As autoridades portuguesas exigiram o uso exclusivo do português, temerosos de que a língua nativa predominasse. A imposição dos europeus sob os índios que eles não perceberam que estava acontecendo um choque de valores da cultura nativa e do colonizador.

Além dos índios, os jesuítas também educaram os filhos dos colonos, monopolizando o ensino no Brasil que seguia uma estrutura de três cursos: letras humanas, filosofia e ciência, teologia e ciências sagradas. Ao término do curso, o jovem poderia escolher em formar-se como padre ou encaminhar-se para as diversas faculdades européias.

Desta forma, ao “educar” o índio os jesuítas atravessam sua cultura, seu hábitos e costumes de maneira grotesca a ponto de deixá-los sempre a mercê dos seus próprios interesses, tudo para colonizá-lo e converte-los apenas por interesse na sua força física para o trabalho escravo.