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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

RESUMO "A LITERATURA INFANTIL: ABERTURA PARA A FORMAÇÃO DE UMA NOVA MENTALIDADE"


Coelho N. N. A literatura infantil: Abertura para a formação de uma nova mentalidade. In: Literatura infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000.

Primeiramente a autora apresenta a leitura como arte e como fenômeno de linguagem, pois ela afirma ser a literatura como uma das mais importantes no processo de formação do indivíduo. O ato de ler é uma conquista do processo evolutivo do ser humano, pois é nela que se concentra toda a memória de um povo, como a cultura, as idéias e todas outras coisas elaboradas e conservadas pelo homem. Visto que a palavra é o único caminho para evolução de um povo, faz-se necessário que isso seja sabido por todos para que a literatura infantil ou não, cumpra o seu papel na transformação da sociedade. A escola, por exemplo, seria um dos espaços importantes para a disseminação da idéia de que não se tem outra alternativa para se fazer uma leitura de mundo se não for pela leitura. E assim adequar o ser humano para uma melhor consciência de mundo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Borra - Manuel de Barros



          Prefiro as palavras obscuras que moram nos
Fundos de uma cozinha – tipo borra, latas, ciscos
Do que palavras que moram nos sodalícios
Tipo excelência, conspícuo, majestade.
Também, meus alter-egos são todos borra,
Ciscos, pobres-diabos
Que poderiam morar nos fundo de uma cozinha
Tipo Bola Sete, Mário Pega Sapo, Maria Pelego Prego etc
Todos bêbado ou bocós.
E todo condizentes com andrajos.
Um dia alguém me sugeriu que adotasse um
Alter-ego respeitável – tipo um príncipe,
Um almirante, um senador.
Eu perguntei:
Mas quem ficará com meus abismos se os
Pobres diabos não ficarem?

ENSAIOS FOTOGRÁFICOS (2000, p. 61)

terça-feira, 29 de março de 2011

A Troca - Lygia Nunes

Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.
E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.
Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça.
Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.
Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que – no meu jeito de ver as coisas – é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.
Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra – em algum lugar – uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.
(Mensagem de Lygia Bojunga para o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, traduzida e divulgada nos 64 países membros do IBBY).

Palavras - Manoel de Barros

Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que uma palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao retirar debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali só havia um grilo com sua flauta de couro. O grilo feridava o silencio. Os moradores do lugar se queixam do grilo. Veio uma palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar que retiraram debaixo de mim? Não era para terem retirado a mim do lugar? Foram as palavras pois que desestruturaram a linguagem. E não eu.

BARROS, Manoel Ensaios Fotográficos- RJ: Record, 2000

A Obra - Manuel de Barros

Prefiro as palavras obscuras que moram nos
Fundos de uma cozinha – tipo borra, latas, ciscos
Do que palavras que moram nos sodalícios
Tipo excelência, conspícuo, majestade.
Também, meus alter-egos são todos borra,
Ciscos, pobres-diabos
Que poderiam morar nos fundo de uma cozinha
Tipo Bola Sete, Mário Pega Sapo, Maria Pelego Prego etc
Todos bêbado ou bocós.
E todo condizentes com andrajos.
Um dia alguém me sugeriu que adotasse um
Alter-ego respeitável – tipo um príncipe,
Um almirante, um senador.
Eu perguntei:
Mas quem ficará com meus abismos se os
Pobres diabos não ficarem?

ENSAIOS FOTOGRÁFICOS (2000, p. 61)

As Lições de R. Q. - Manoel de Barros


Aprendi com Rómulo Quiroga (um pintor boliviano):
A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas.
Só a alma atormentada pode trazer para a voz um
formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso desformar o mundo:
Tirar da natureza as naturalidades.
Fazer cavalo verde, por exemplo.
Fazer noiva camponesa voar - como em Chagall.

Agora é só puxar o alarme do silêncio que eu saio por
aí a desformar.

Até já inventei mulher de 7 peitos para fazer vaginação
comigo.