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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O MONGE E OS GRÃOS DE FEIJÃO

Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar precisava encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um poderia sucedê-lo. Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio para colocar a sabedoria dos dois à prova. 
 
 
 Ambos receberam alguns grãos de feijão que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreenderem a subida de uma grande montanha. Dia e hora marcados, começa a prova.

Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. 
Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista. Prova encerrada, todos voltam ao pé da montanha para ouvirem do monge o óbvio anúncio. Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta ao seu oponente como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos:

- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei - foi a resposta.


Carregando feijões ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. 
Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento é você quem determina. 
APRENDAMOS A COZINHAR OS NOSSOS FEIJÕES...

A BOMBA D'ÁGUA



Contam que um certo homem estava perdido no deserto, prestes a morrer de sede. Foi quando ele chegou a uma casinha velha - uma cabana desmoronando - sem janelas, sem teto, batida pelo tempo. O homem perambulou por ali e encontrou uma pequena sombra onde se acomodou, fugindo do calor do sol desértico.

Olhando ao redor, viu uma bomba a alguns metros de distância, bem velha e enferrujada. Ele se arrastou até ali, agarrou a manivela, e começou a bombear sem parar. Nada aconteceu.
Desapontado, caiu prostado para trás e notou que ao lado da bomba havia uma garrafa. Olhou-a, limpou-a, removendo a sujeira e o pó, e leu o seguinte recado:

"Você precisa primeiro preparar a bomba com toda a água desta garrafa, meu amigo. PS.: Faça o favor de encher a garrafa outra vez antes de partir."

O homem arrancou a rolha da garrafa e, de fato, lá estava a água. A garrafa estava quase cheia de água! De repente, ele se viu em um dilema: Se bebesse aquela água poderia sobreviver, mas se despejasse toda a água na velha bomba enferrujada, talvez obtivesse água fresca, bem fria, lá no fundo do poço, toda a água que quisesse e poderia deixar a garrafa cheia para a próxima pessoa... mas talvez isso não desse certo.

Que deveria fazer? Despejar a água na velha bomba e esperar a água fresca e fria ou beber a água velha e salvar sua vida?

Deveria perder toda a água que tinha na esperança daquelas instruções pouco confiáveis, escritas não se sabia quando?

Com relutância, o homem despejou toda a água na bomba. Em seguida, agarrou a manivela e começou a bombear... e a bomba começou a chiar. E nada aconteceu!

E a bomba foi rangendo e chiando. Então surgiu um fiozinho de água; depois um pequeno fluxo, e finalmente a água jorrou com abundância! A bomba velha e enferrujada fez jorrar muita, mas muita água fresca e cristalina. Ele encheu a garrafa e bebeu dela até se fartar. Encheu-a outra vez para o próximo que por ali poderia passar, arrolhou-a e acrescentou uma pequena nota ao bilhete preso nela:

"Creia-me, funciona! Você precisa dar toda a água antes de poder obtê-la de volta!"
Podemos aprender coisas importantes a partir dessa breve história:

Nenhum esforço que você faça será valido, se ele for feito da forma errada. Você pode passar sua vida toda tentando bombear algo quando alguém já tem reservado a solução para você. Preste atenção a sua volta! Deus está sempre pronto a suprir sua necessidade!

Saiba olhar adiante e compartilhar! Aquele homem poderia ter se fartado e ter se esquecido de que outras pessoas que precisassem da água pudessem passar por ali. Ele não se esqueceu de encher a garrafa e ainda por cima soube dar uma palavra de incentivo. Se preocupe com quem está próximo de você, lembre-se: você só poderá obter água se a der antes. Cultive seus relacionamentos, dê o melhor de si!


(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

AOS PROFESSORES!


Linda reflexão de Ademar Bogo:




terça-feira, 11 de outubro de 2011

FRASES - RUBEM ALVES

“O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo…”

domingo, 9 de outubro de 2011

O SONHO DE SVETLANA

Desde pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão: dançar e sonhar em ser uma Gran Ballerina do Ballet Bolshoi. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam se resignado: o coração de Svetlana tinha lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado pelo dia em que se tornaria bailarina do Bolshoi.

Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergei Davidovitch, Ballet Master do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a Companhia. Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento, como se uma vida inteira pudesse ser contada em um único compasso. Ao final, aproximou-se do Master e lhe perguntou:

"Então, o senhor acha que eu posso me tornar uma Gran Ballerina?" Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio às lágrimas, imaginou que nunca mais aquele "Não" deixaria de reverberar em sua mente. Meses se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatilha. Ou fazer seu alongamento em frente ao  espelho. Dez anos mais tarde Svetlana, já uma estimada professora de ballet, criou coragem de ir à performance anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se bem à frente e notou que o Sr. Davidovitch ainda era o Ballet Master. Após o concerto, aproximou-se do cavalheiro e lhe contou o quanto ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto doera, anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria capaz.

"Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes", respondeu o Sr. Davidovitch. "Como o senhor poderia cometer uma injustiça dessas? Eu dediquei toda minha vida! Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido uma Gran Ballerina se não fosse o descaso com que o senhor me avaliou!" Havia solidariedade e compreensão na voz do Master, mas ele não hesitou ao responder: "Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente, se foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião de outra pessoa."

Autor desconhecido
FONTE: http://www.possibilidades.com.br/

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A ROUPA NOVA DO REI

"Era uma vez um rei, tão exageradamente amigo de roupas novas, que nelas gastava todo o seu dinheiro. Ele não se preocupava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pela floresta, a não ser para exibir roupas novas. Para cada hora do dia, tinha uma roupa diferente. Em vez de o povo dizer, como de costume, com relação a outro rei: "Ele está em seu gabinete de trabalho", dizia "Ele está no seu quarto de vestir".

A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo. Não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisíveis às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

A Velha Chorona

Há muitos, muitos anos, numa aldeia distante, vivia uma velha que vendia bolinhos caseiros. Na rua e era conhecida por toda a gente como a “velha chorona”, pois ela passava o dia a lamentar-se e a choramingar. Por causa disso a velha acabava por perder muitos clientes que não tinham paciência para lhe aturar as lamúrias.
Um sábio professor que, todos os dias, a caminho do trabalho, passava junto à velha começou a ficar intrigado com tanta choradeira. E perguntou-lhe ao que tal se devia.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Tejo - Fernando Pessoa

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
   Alberto Caeiro

Identidade

Às vezes nem eu mesmo

 sei quem sou.
Às vezes sou
“o meu queridinho”.
Às vezes sou
moleque malcriado.
Para mim
tem vezes que eu sou rei,
herói voador,
caubói lutador,
jogador campeão.
Às vezes sou pulga,
sou mosca também, que voa e se esconde
de medo e vergonha.
Às vezes
eu sou Hércules,
Sansão vencedor,
peito de aço,
goleador.
Mas que importa
O que pensam de mim?
Eu sou eu,
sou assim,
sou menino.

(Pedro Bandeira. Transcrito de Cavalgando o arco-íris. São Paulo, Moderna

Nome da gente - Pedro Bandeira


Por que é que eu me chamo isso e não me chamo aquilo?????

Por que é que o jacaré não se chama crocodilo?????

Eu não gosto do meu nome

Não fui eu quem escolheu

Eu não sei por que se metem

Com um nome que é só meu

O nenê que vai nascer

Vai chamar como o padrinho

Vai chamar como o vovô

Mas ninguem vai perguntar

O que pensa o coitadinho??????

Foi meu pai quem dicidiu

Que meu nome fosse aquele

Isto só seria justo

se eu escolhece o nome dele!!!

Quando eu tiver um filho

Não vou por nome nenhum

Quando ele for bem grande

Ele que procure um!!!!

Volta às aulas - Poema




Promessa
(Pedro Bandeira)

Primeiro dia de aula,
como é bom recomeçar!

Mala nova, tudo novo,
Caderno, lápis no estojo,
tudo encapado,
tudo ajeitado,
tudo arrumado,
tudo prontinho.

Não conheço a professora,
também ela vai ser nova.
Sei que dela eu vou gostar,
e ela vai gostar de mim.

Prometo estudar bastante,
vou ser o primeiro da classe.
Não vou ficar de castigo,
nem vou brigar no recreio.

Tudo novo, vida nova.
Novos colegas também.
Mas eu prometo:
este ano,
eu não vou emprestar minha borracha.

(in Cavalgando o arco-íris, Ed. Moderna)

Irmão menor



é pior
que catapora.
Irmãozinho
é pior do que carniça,
é pior do que injeção.
Mexe no que é meu,
rabisca meu caderno,
perde meu carrinho,
e eu fico de castigo
se lhe dou um safanão.
É praga,é prega,
É sarampo, é varicela!
E não venha
achar estranho,
só porque dei uma surra
no danado do moleque
que xingou o meu irmão.
Eu posso xingar.
Os outros não!
fonte:Pedro Bandeira.

O MUNDO - PEDRO BANDEIRA



Sei que o mundo é mais que a casa,
mais que a rua,  mais que a escola,
mais que mãe e mais que pai.

Vai além do horizonte,
que eu desenho no caderno,
como linha reta e preta,
que separa azul de verde.

Sei que é muito, sei que é grande,
sei que é cheio, sei que é vasto.

Me disseram que é uma bola,
que flutua pelo espaço,
atirada pelo chute
de um gigante poderoso;
vai direto para um gol,
que ninguém sabe onde é.

Mas pra mim o que mais conta
é este mundo que eu conheço
e que cabe direitinho
bem debaixo do meu pé.

do livro Cavalgando o arco-íris. São Paulo, Moderna, 1984.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

As Moscas

 
Conta-se que certa vez duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente, assim logo ao cair nadou até a borda do copo, mas como a superfície era muito lisa e ela tinha suas asas molhadas, não conseguiu sair. Acreditando que não havia saída, a mosca desanimou parou de nadar e de se debater e afundou.


A outra mosca não era tão forte mas era tenaz. Continuou a se debater, a se debater e a se debater por tanto tempo, que, aos poucos o leite ao seu redor, com toda aquela agitação, foi se transformando e formou um pequeno nódulo de manteiga, onde a mosca tenaz conseguiu com muito esforço subir e dali levantar vôo para algum lugar seguro.


Tempos depois, a mesma mosca tenaz, por descuido ou acidente, novamente caiu no copo.
Como já havia aprendido em sua experiência anterior, começou a se debater, na esperança de que, no devido tempo, se salvaria.


Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da companheira de espécie, pousou na beira do copo e gritou:


- Tem um canudo ali, nade até lá e suba pelo canudo.


A mosca tenaz não lhe deu ouvidos, baseando-se na sua experiência anterior de sucesso e, continuou a se debater e a se debater, até que, exausta afundou no copo cheio de água.


Conceitos trabalhados:- Crenças e Valores- Criação de Novos Negócios- Estratégia- Processo Ensino-Aprendizagem

terça-feira, 26 de abril de 2011

História Trágica Com Final Feliz


Um curta que nos leva a refletir sobre nossos defeitos e qualidades e de como podemos nos beneficiar deles para a conviência em sociedade. Por isso penso ser pertinente aqui o seguinte questionamento:

A maneira como tratamos as pessoas mostra quem somos e em quê acreditamos?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cidade Fantasma


Um grupo de viajantes, tendo ouvido falar de uma cidade cheia de tesouros, parte para enfrentar uma difícil jornada. Para chegar à cidade, teriam que percorrer uma estrada extremamente longa que atravessava desertos, florestas e terras perigosas. Nenhum trecho dessa estrada era seguro e os viajantes teriam de ter muita coragem e persistência para atingir sua meta.

Haviam completado mais da metade da jornada e acabado de sair de uma densa floresta, quando o guia que os conduzia, que conhecia bem o caminho, avisou que logo iriam se aventurar por um deserto.

O sol escaldante e as fortes tempestades de areia provaram ser demais para eles. Os viajantes estavam tão cansados que começaram a perder a coragem e a querer desistir dos tesouros em troca da segurança de seus lares que haviam deixado para trás. O guia, contudo, estava determinado a levar todos, não importando como. Ele usou, então, seus poderes místicos, fazendo surgir uma cidade monumental no meio do deserto.

Instantaneamente, os viajantes tiveram uma visão fantástica. Apareceu do nada um lindo oásis repleto de árvores, por entre as quais viram uma cidade. Imediatamente, correram até lá com grande alegria. Todo o cansaço, todas as dores e todo o desânino desapareceram em um instante, para dar lugar ao otimismo, à alegria e à esperança. Eles se banharam, saborearam comidas deliciosas e dormiram tranqüilamente. Em suas conversas, nem cogitavam a idéia de desistir da jornada e de retornar aos seus lares.

Na manhã seguinte, logo que despertaram, ficaram estarrecidos ao ouvir o guia lhes dizer que tinham de deixar aquele lugar maravilhoso e seguir viagem.

— Mas, este é exatamente o paraíso que procurávamos por tanto tempo! — exclamou um deles.

Não. — respondeu o guia — Os senhores nem sequer alcançaram o primeiro terço da jornada. Este é somente um ponto de descanso, um lugar para se refrescarem. Acreditem! O destino final é muito mais belo do que esta cidade e não está tão longe. Agora que tivemos tempo para descansar e relaxar, teremos que continuar nossa peregrinação.

Dito isso, a cidade desapareceu na areia.

Conceitos trabalhados:- Estratégia- Estratégias Empresariais- Motivação

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

PowerPoint com carteirinha

PowerPoint era o invento que faltava. Permite projetar na parede o que antes era colocado em garranchos escritos no quadro-negro. Fim do pó de giz. Fim da perda de tempo esperando o professor escrever. Viva o império das cores, dos desenhos elegantes, dos sons, dos hipertextos (com YouTube e animações). Fim das falhas de memória, pois, uma vez benfeito, dura para sempre. Mas, se necessário, corrigimos em segundos. Para a sucata o retroprojetor, que precisava de ajudante para passar seus acetatos caros, que não aceitavam correções, que caíam no chão e se misturavam. Só que, na prática, costuma sr um desastre. Cruses! Lá vem um PowerPoint chatíssimo! Mas no escurinho, indecisa entre ouvir e ler, a plateia cochila. Aliás, está proibido em cada vez mais empresas e no Exército americano falar-se de "morte por PowerPoint". Os erros se repetem, começando com o congestionamento visual. Cores denais, borboletas, plim-plins, acordes dramáticos, desenhos de mau gosto, pletora de caracteres tipográficos conflitantes, informações periféricas à aula, logotipos e outros balangadãs. Depois vem o excesso de informações e de slides, sobrecarregados com textos intemináveis. Culmina com o erro fatal: o texto lido! Como lemos cinco vezes mais rápido do que o proessor fala, passamos à sua frente. Ou seja, o pobre professor levou para a aula um concorrente que tomou a sua cena, pois já lemos o texto e não escutamos mais o que ele diz.
Há uma regra clássica: se alguém que não assistiu à aula recebe o PowerPoint e o atende, está errado por excesso. Os slides terão arruinado a aula, arrancando-a do professor e deixando desgovernada a atenção da platéia. Aliás, se é para ler, o que faz lá o conferecista? O texto dos slides deve ser apenas um recurso mnemônico, para fixar os conceitos mencionados e para criar a arquitetura mental das principais idéias. Que fique claro: o PowerPoint não substitui nem o professor nem as leituras. O que ele substitui é o quadro-negro! Ele é um resumo e, bem sabemos, não se aprende em resumos. Serve para fixar na memória as grandes idéias. Para aprender, Precisamos dos exemplos e dos detalhes.
O PowerPoint é maravilhoso, se for bem usado. Visualmente, precisa ser de extrema simplicidade. Se a figura não vale mil palavras, lixo com ela. Já se disse, quem vê Steve Jobs e Bill Gates usá-lo aprende tudo de que precisa. Imitemos o supremo despojamento de Jobs e seremos bem sucedidos. Imitemos Gates e afundaremos na barafunda visual.
Se Jesus usasse PowerPoint, não teria discípulos, pois histórias, parábolas, contos e narrativas são enredados na contramão das listas mostradas nos slides. Não se contam histórias emocionantes com ele. É impossível narrar uma aventura com PowerPoint (vá lá projetar o mapa). A sua lógica é a enumeração, e nem tudo pode ser transformado em uma lista. Para deduzir um teorema, mostrar uma lei da física ou fazer conexões lógicas, precisamos recorrer a gráficos ou a outra lógica de apresentação, fugindo dos "marcadores" (bullets) enfiados goela abaixo dos usuários.
Para quem quer encontrar o bom caminho do PowerPoint, o livro Presentation Zen é a rendenção. O autor nos lembra que nosso cérebro tem um hemisfério esquerdo, que cuida da razão, e um direito, encarregado das emoções, das evocações. Uma boa aula ativa na platéia os dois hemisférios: inspira o direio e explica ao esquerdo. E com qual hemisfério o PowerPoint vai se comunicar? Se falar ao esquerdo, da razão, vai competir com as palavras do professor. É o desastre anunciado. Nele, as poucas palavras são para reter na memória as idéias ouvidas, não para lançá-las. Portanto, sua missão deve ser evocar, inspirar, infiltrar sentimentos. Daí a importância da escolha judiciosa das imagens. Melhor que sejam fotografias (abudantes no Google Images), e que se fuja, como o diabo da cruz, da Clip-art e dos desenhos humorísticos.
diante disso tudo, só resta uma solução: exigir carteira de habilitação para usar PowerPoint. Vamos à autoescola e tiramos carteira, para reduzir o risco de atropelar uma velhinha na primeira esquina. Então, carteira para usar PowerPoint, para evitar que barbeiragens ponham a perder o potencial educativo de um recurso tão extraordinário, mas que pode ser usado também para confudir a platéia e mentir.

FONTE: CASTRO, Claudio de Mauro. PowerPoint com carteirinha. Revista Veja, ed. 2177, nº 32, p. 26, 2010.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Educações. . .

Dentre os teóricos que estudam educação, há um que me recordo bem: o Carlos Rodrigues Brandão. Ele diz que não existe educação, mas educações, à medida que ela existe para formar tipos de sujeitos que atendam ao interesse da sociedade, além do fato de que educação não se restringe a esfera escolar, ela se dá na convivência familiar, na igreja, entre amigos, onde há troca de saberes, valores éticos, morais, culturais etc. está havendo um processo educativo.
Temos a escola que está a serviço do Estado, perpetuando os ideários e atendendo às vontades dos que estão no poder, ainda que, por vezes, encontramos em sala de aula uma prática libertadora, a instituição escolar em si trabalha com a educação formal e, essa, cumpre o papel de formar trabalhadores para sustentar a máquina do capital, sendo que, somente aqueles que não são alienados conseguem transceder e lutar contra a exploração do homem pelo homem, utilizando o conhecimento como arma.
No entanto, o educar não é uma função exclusiva da escola, ao menos, não deve ser. Tomando como ponto de partida o que disse no parágrafo supracitado, a instituição escolar é responsável pelo modelo de educação formal, enquanto a família, por aquela aprendizagem possível por meio das vivências, na qual o professor é o pai, a mãe, os irmãos, etc.. Sabendo disso, a família poderia se preocupar um pouco mais com a educação de nossas crianças, uma vez que, é em seu seio que o infante inicia o processo educativo. No âmago familiar que a criança começa a adquirir os valores necessários à sua formação humana, aprender aquilo que a ajudará a se tornar uma cidadã participativa em sua sociedade, repleta de valores morais úteis para a transformação social.
Se formos analisar nosso contexto atual, concluiremos que alguém não estã fazendo seu papel de forma correta no que tange a educação de nossas crianças, pois, o que vemos são adolescentes e jovens se envolvendo cada vez mais cedo com as drogas, participando de ações ilícitas, se enveredando por um caminho, que dificilmente, tem volta. Talvez, o erro seja conjunto: família e escola. E, se pensarmos bem, a responsabilidade se estende aos governantes, autoridades, sociedade civil, todos nós.
Dizemos que eles são o futuro, mas, não pensamos em nada que modifique um presente cada vez mais sem perspectivas, esperança, que os convida às drogas, à criminalidade, à violência. O discurso da sociedade brasileira não tem coincidido com a prática. Faz-se necessário um refletir coletivo, uma ação conjunta em prol do resgate de nossa juventude. E, não se enganem, a educação é a arma mais poderosa que dispomos nessa guerra. Só que, é preciso que a educação formal e a familiar se unam, ou seja, família e escola trabalhem unidas, com objetivos comuns voltados para o resgate dos valores éticos e morais, cada vez mais soterrados pelo tempo. Urge que façamos nossos alunos pensarem no próximo, compreenderem o sentido real de palavras como cidadania, solicitude, gentileza, compaixão, respeito, paz, direitos, deveres, ou seja, a aplicabilidade e importância das mesmas.

FONTE: Jornal Alerta. Teixeira de Freitas, ano 23, n. 1114. p. 02, 29 ago. 2010.